Recomendações para implementação do sistema ágil

Há quatro anos o tema TI bimodal - conceito que enfatiza a aplicação da TI tradicional e da TI experimental simultaneamente nos processos de negócio - vem sendo debatido em conferências e fóruns no mundo todo. Acadêmicos, executivos e profissionais com grande experiência no mercado estão interessados em descobrir uma forma de modernizar o time to market. 
 
Em meados de 2014, o Gartner - empresa americana de pesquisa e consultoria que fornece informações relacionadas à tecnologia da informação - fez algumas recomendações sobre uma forma de implementar esta nova estratégia nas empresas, que viabilizaria os benefícios do DevOps e envolveria a transformação da cultura da companhia para a adequação do mindset dos colaboradores e parceiros. 
 
Na ocasião, a proposta de adoção da TI bimodal, forma de explorar tanto os métodos tradicionais de trabalho - com maior ênfase em escalabilidade, eficiência, segurança e precisão - quanto o método ágil e moderno - que é não-sequencial, enfatiza a agilidade e a velocidade, teve como expectativa promover condições para as companhias se adaptarem rapidamente às mudanças que ocorrem na tecnologia.
 
Tais recomendações apresentavam cinco temas imprescindíveis para alcançar o sucesso: direcionar corretamente o comportamento do time ágil, buscar consenso sobre a abordagem junto aos stakeholders, começar com foco em um piloto pequeno, trabalhar a cultura e focar no aperfeiçoamento. As abordagens são convergentes e têm origem bastante comum: melhor atendimento e resposta aos clientes, onde os principais objetivos são a busca por eficiência operacional e produtividade.
 
Mas, quais foram os resultados obtidos até agora?
 
Muito já foi discutido sobre o tema, mas ainda há pouca informação disponível no mercado que possa indicar sucessos e insucessos neste processo. Assim, as métricas de toda a sua eficiência e os resultados obtidos a partir deste novo statement of work ainda é obscura e está inserida dentro do próprio contexto de cada empresa, se podemos mencionar desta forma.
 
Segundo o que é possível verificar nos artigos online do IDC - International Data Corporation, empresa de inteligência de mercado e consultoria - e do Gartner, permanece quente a corrida para adoção aos modelos ágeis e muitas empresas ainda estão em processo de mudança, onde os desafios são completamente diferentes dependendo do porte da companhia. O Gartner também previu que, até 2018, 75% das empresas teriam adotado estes modelos de trabalho para obter sucesso na estratégia de Digital Business.
 
Em geral, a adoção do modelo dual é procurada por empresas de maior porte, pois são estas que ainda possuem um modelo de atuação tradicional. Mas a mesma afirmação não vale para empresas de menor porte. Isto porque a estrutura dessas empresas facilita a adoção dos modelos ágeis, uma vez que são mais enxutas e não justificam o investimento na separação dos papéis, o que poderia conduzir a mais contratações para manter os talentos necessários.
 
Há muita especulação sobre quais são os fatores de sucesso para a adoção do modelo dual, muitos bons livros dissertando sobre o tema, tanto críticos quanto defensores igualmente ferrenhos. Em todo caso, especialistas apontam que não existe receita única para todas as empresas. 
 
Num artigo da Forbes (2015), Jason Bloomberg apresenta uma visão muito mais pragmática, sobre o possível fracasso das empresas na adoção deste modelo. Explora, também, algumas preocupações a respeito de fatores imprevisíveis sobre questões humanas envolvidas e sobre o risco das empresas seguirem cegamente às recomendações do Gartner, sem adaptação à sua própria realidade.
 
Ocorre que são mesmo decisões muito individuais para cada estrutura e que se confundem entre visão estratégica e execução operacional e estão diretamente envolvidas na estratégia de evolução da competitividade da empresa. Sabe-se que a adoção da TI Bimodal depende, principalmente, da aproximação da área de TI com as áreas de Negócio e que a imprevisibilidade é uma das partes que vem no pacote.
 
Um dos desafios mais apontados pelos executivos é o conflito interno entre o time do modelo ágil e o time tradicional, que suporta os negócios. Em geral, é o grupo tradicional que mantém o dia-a-dia  e estão presos a sistemas e tecnologias que começam a perder empregabilidade. Um dado importante que colabora com esta visão é que 85% dos gastos das empresas em TI ainda são relacionados à TI tradicional, segundo o IDC.
 
Além disso, outra condição igualmente importante para adoção do modelo dual esbarra em aspectos humanos, que estão relacionados ao perfil dos profissionais. Em geral, o perfil dos profissionais do modelo ágil é muito diferente do perfil dos profissionais do modelo tradicional, ou seja, existem lacunas entre a contratação e o desenvolvimento da carreira destes profissionais dentro da empresa e este é um tema que precisa ser considerado em sinergia com a área de Recursos Humanos.
 
Na busca de uma solução, algumas empresas têm buscado a adoção de um modelo intermediário à TI Bimodal, onde a abordagem mais comum é que a empresa digital tem que ser ágil de ponta a ponta, e não apenas em grupos isolados de DevOps. A forma que os executivos encontraram de seguir desta forma é misturar os times de operações e de inovação em uma única equipe. O resultado esperado desta abordagem é que as mesmas pessoas que fazem o suporte de velhas funcionalidades criam e executam os planos para as novidades, passando a assisti-las quando migram para a operação em definitivo, mais próximo do método adotado pelas empresas de menor porte. Tal modelo está em pleno movimento de evolução, e não existem ainda respostas conclusivas.
 
Não podemos negar a complexidade envolvida na adoção dos modelos e o quanto de esforço tem sido despendido pelas empresas nestas empreitadas, buscando coexistir na era digital. Todo este movimento causa uma reação em cadeia à qual a maioria busca se adaptar, mas não conseguimos ter a percepção de todas as implicações, pois são processos que permanecem em execução e ainda não foram concluídos. Por isso, é impossível ainda determinar uma fórmula de sucesso, apesar de toda esta racionalização em cima do assunto.
 
Os defensores do modelo dirão que não é permitido perder o bonde, ou estaremos fadados ao insucesso. Já os pessimistas dirão que seguir o Bimodal é a real fórmula ao fracasso. E de toda forma, são aspectos positivos, pois são condições disruptivas, que produzem mudanças profundas - como tantas outras que ocorreram no passado - e são baseados nas necessidades dos consumidores e clientes.
 
A pergunta que todos querem responder é: só as empresas ágeis irão sobreviver? A única certeza que temos é que ao final as empresas não conseguirão sair ilesas deste processo, seja pela grande mudança interna que é preciso fazer para alcançar este objetivo, seja pela dificuldade de adaptação, ou pela inércia. Em todos os casos, seremos afetados. Afinal, é o mercado quem dita o caminho.
 
Por Douglas Barbosa, arquiteto de soluções na SEC4YOU.
 
 

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